No próximo dia 21 de abril, após o final da Eucaristia de domingo, na igreja de Santo António dos Olivais, o Circulo Laudato Si’ de Santo António dos Olivais inicia de modo formal e simbólico, plantando uma oliveira (Olea europeia, variedade Galega), o seu compromisso com os pobres e os espoliados, a começar pela nossa mãe Terra, nossa Casa Comum.
Um nome maior da poesia portuguesa, Eugénio de Andrade, confessou já ter escutado “o apelo do tordo, junto às águas velhas do rio, na luz vidrada das lentas oliveiras do sul” no seu poema Despedida do outono (in: Os Lugares do Lume), uma belíssima ode à desejável harmonia entre Homem e Natureza.
Lentas e sábias oliveiras, sim! Que outra espécie arbórea poderíamos escolher no nosso Círculo Laudato Si’ de Santo António dos Olivais para celebrar, plenamente, neste próximo dia 21 de abril, nas vésperas do Dia da Terra que se celebra a 22.
Procuramos, assim, escutar e responder àquele outro apelo que nos foi lançado pelo Papa Francisco para cuidarmos da Casa Comum.
Já no tempo dos romanos, a oliveira era o símbolo da pureza e da sabedoria nos países mediterrânicos, indicador de progresso civilizacional e marca da pacificação, prelúdio de uma desejada bandeira branca, portadora de mensagens de Paz.
Um bem valioso numa Terra Prometida, a oliveira (zayte em hebraico, de onde derivou a palavra “azeite”) é referenciada com frequência no Antigo e Novo Testamentos. Foi desta árvore sagrada que se soltaram as folhas que anunciaram o fim do dilúvio, regressando no bico de uma pomba branca à Arca e às mãos de Noé.
Resiliente, a oliveira adapta-se bem a condições adversas. Mesmo quando vergada pela idade ou vergastada por intervenção humana, o seu tronco mantém a expressão fraterna de quem abraça todos aqueles que, dobrados sobre o chão, recolhem os seus frutos, para que o azeite ilumine a ceia de Natal e a lenha da poda alimente o fogo e aqueça os lares.
“Se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, hoje, ainda plantaria uma árvore”
Martin Luther King, (1929-1968, Prémio Nobel da Paz, em 1964)
Texto de Carlos Alarcão

